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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Hush (2016), a morte ouve – ideia básica, filme interessante

O tema tratado por Hush (2016) é um dos mais utilizados em filmes de suspense/terror. A invasão de domicílio por um ou mais desconhecidos é uma daquelas situações que reforça a empatia de quem assiste com o (a) protagonista, tratando-se de algo que poderia – em tese – acontecer com qualquer um. É o dito horror “possível”.

Por conta disso, esse subgênero é dos mais visitados e mais suscetíveis a toda sorte de clichês. Em geral, não envolve muito esforço para sua realização e sugere aquelas histórias banais filmadas para a televisão estadunidense exibidas em alguma sessão do Supercine, em um sábado à noite, na Globo. Contudo, o filme dirigido por Mike Flanagan (O Espelho e Ouija – Origem do Mal), disponível no Netflix, não cai nessa armadilha, até porque tem um elemento a mais para reforçar a dramaticidade de uma perseguição.

Madison "Maddie" Young (Kate Siegel) é uma escritora que vive sozinha em uma casa em um lugar relativamente remoto. Uma de suas únicas companhias é a vizinha Sarah (Samantha Sloyan), apresentada logo no início da narrativa. Maddie ficou surda e muda após contrair uma meningite quando tinha treze anos, e é nesse diferencial que se constrói boa parte da tensão da película.

Logo surge a figura de um assassino após a apresentação das duas personagens. E começa a batalha entre a protagonista, que luta sozinha contra o estranho criminoso. Uma luta obviamente desigual e que Flanagan faz questão de evidenciar nas primeiras cenas do antagonista de Maddie, quando ele observa a escritora sem ser percebido. É o cenário de impotência explorado em diversos filmes, sendo talvez o mais célebre Janela Indiscreta, onde o personagem principal tinha outro tipo de limitação.



Mas Madison não é uma “final girl” (expressão atribuída as mulheres sobreviventes em filmes de terror) qualquer. Seu perseguidor tem um lado sádico, transparecendo também subestimar o potencial de sua vítima. É desse contraste que decorre toda a tensão da história, seguindo em uma crescente à medida que a protagonista vai sofrendo no embate com seu algoz. Um clima que piora com a quase absoluta falta de diálogos predominante no filme, muito centrado na ótima atuação de Kate Siegel, responsável por boa parte do sucesso da trama.

No entanto, nem tudo são flores. Vendo a sinopse, muitos vão se perguntar: como sustentar um filme baseado somente nisso? Embora o roteiro seja bem costurado – atente para as cenas iniciais que dão dicas sobre o que acontece mais à frente – algumas das saídas encontradas pela protagonista são soluções fáceis, e a sua inventividade de escritora, vantagem utilizada como arma na narrativa, não aparece como deveria. Isso resulta em algumas oscilações e pode cansar um pouco quem não estiver completamente envolvido com o drama da protagonista.

Com esses prós e contras, o resultado final é um filme acima da média para o padrão de películas semelhantes.

Hush (2016)
Direção: Mike Flanagan
Elenco: Kate Siegel, John Gallagher Jr., Michael Trucco
Nacionalidade: EUA
Duração: 1h27

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Summer Camp (2015): quando os clichês de filmes de terror fazem rir


Durante muito tempo, um dos grandes filões dos filmes de terror tiveram como cenário acampamentos, na onda do sucesso de franquias como Sexta-Feira 13. Um nicho, entretanto menor que o ainda atual tema que talvez predomine nas produções do gênero há alguns anos, os zumbis. O filme de horror espanhol Campamento del Terror (ou Summer Camp, título original em inglês) une as duas coisas em uma história que não se leva muito a sério.

Quatro jovens naturais dos Estados unidos vão durante as férias trabalhar como monitores no interior da Espanha, em um acampamento que tem como base um velho e enorme casarão. A história começa a tomar rumo quando um cachorro, entre os animais que ficam ali, começa a demonstrar sinais semelhantes aos da raiva. É o momento em que se inicia uma infecção que se espalha, transformando o local no palco de inúmeras perseguições que podem custar a vida dos protagonistas.

No ponto em que a epidemia impera, o longa se transforma praticamente em uma típica comédia de erros, apesar do horror continuar. A parte de humor fica justamente pelas situações que vão se encadeando a partir das transformações que vão ocorrendo nos personagens, com um diferencial em relação a outras narrativas de zumbis: os danos não são permanentes, ou seja, depois de um período infectada a pessoa volta ao estado normal. Isso torna a corrida pela sobrevivência mais imprevisível e, por que não, divertida para quem assiste.

Alberto Marini consegue fazer de Campamento del Terror um filme que mistura com inteligência os clichês de películas do gênero, não se levando a sério o suficiente para irritar quem assiste, o que torna muitas produções pra lá de pretensiosas. Pelo contrário, quem quiser uma diversão descompromissada e com um nível superior à média, ainda que sem grandes expectativas, vai encontrar um bom passatempo.



Summer Camp (2015)
Espanha
Diretor: Alberto Marini
Elenco: Diego Boneta, Maiara Walsh, Jocelin Donahue, Andrés Velencoso
Duração: 1h21
Cotação: 6/10
Disponível no Netflix