terça-feira, 23 de maio de 2017

Ludo (2015) - filme de terror indiano é sangrento, confuso e irregular

Quem vê a primeira parte do filme Ludo (2015), do diretor indiano Qaushiq Mukherjee, vai ter a impressão de que se trata de uma história contando as dificuldades de ser jovem na Índia, mesmo em uma cidade grande como Calcutá.

Ali, quatro jovens, dois homens e duas mulheres, personificam o conflito de um país que tem uma cultura patriarcal e uma forte tradição religiosa que ocupa a maioria de seus espaços convivendo com uma crescente influência do mundo ocidental. Tais diferenças são mostradas no filme de forma pouco sutil, como, por exemplo, quando os jovens passeiam de moto em meio a charretes.

Os quatro buscam um lugar para fazer sexo, mas os motéis exigem que sejam casados para abrigá-los. Antes, são extorquidos por dois policiais ao sair de um restaurante, uma cena tão evidentemente feita para espectadores estrangeiros quanto sua intenção de associar o ato de corrupção a um cenário terceiro-mundista. Não conseguindo encontrar nenhum motel que os aceite, vão parar num shopping center, aguardando para que feche e eles possam usufruir do local.

Até esse momento, o filme é um. Banal, sem surpresas, feito para turistas. Mas quando encontram um casal de velhos (aqui você vai ter que acreditar na narrativa da obra, já que a maquiagem tosca que remete a personagens do Chico Anysio não permite achar que os atores são velhos realmente), tudo muda. Os quatro são introduzidos a um jogo, o ludo do título do filme, que segue as regras daquele mesmo a que você está acostumado a ver.



É nessa virada que o terror começa. E se a narrativa era insossa, agora ela se torna confusa, frenética e muito, muito sangrenta. A história logo mais passa a ser narrada pela suposta idosa, para contar a origem dos dois monstros, meio vampiros, meio canibais, e o que está de fato em jogo no ludo.

Explorar a sexualidade de jovens, eventualmente punida por monstros, maldições, psicopatas e quetais não é propriamente uma novidade em termos de filme de horror. Mas a forma como a história, pobre, é contada não empolga. A segunda metade do filme privilegia cenas pretensamente impactantes, com imagens que deveriam ser fortes, mas que não atingem o objetivo. Mesmo a parte que deveria apresentar ao espectador um pouco da cultura indiana e as contradições vividas pelos jovens do país é simplista e estereotipada.

Se você quiser conhecer o cinema indiano, passe longe de Ludo. Tem muitos melhores por aí.

Ludo (2015)
Índia
Duração: 1h30
Direção: Qaushiq Mukherjee
Elenco: Joyraj Bhattacharya, Soumendra Bhattacharya, Ranodeep Bose e Ananya Biswas.
Disponível no Netflix
Cotação: 2/10

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